A gestão de pessoas em um contexto de pandemia

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Em tempos de tantas dúvidas, uma coisa é certa: a crise ocasionada pela pandemia do novo Coronavírus provocou reflexões, ações e necessidades sem precedentes nesta era sócio-histórica.
Para eventos inusitados sem antecedentes preparatórios, não existe manual. Nesse contexto único, os empreendedores precisaram aprender a navegar sem prefácio. A problemática disso vai muito além das questões operacionais óbvias. Afinal, os seres humanos precisam de bússolas para sentir segurança em seus próximos passos. O que a falta de um norte bem definido simboliza para as empresas, que são, justamente, feitas de gente e alicerces concretos?

O gerenciamento do trabalho remoto

O distanciamento social foi um dos primeiros desafios que despontou no caminho da administração empresarial em 2020. Logo no início da crise pandêmica, com a necessidade de se evitar aglomerações, foi preciso criar um plano de guerra para operacionalizar as atividades remotamente.
Agora, à luz de longos meses de expertise, não é exagero dizer que as maiores adequações não foram aquelas relacionadas à logística, treinamentos ou equipamentos. A grande mudança diz respeito ao gerenciamento dos times no home office.

Comunicação e desafios no teletrabalho

A situação do confinamento foi paradoxal: ao mesmo tempo em que ficamos sem comunicação com o mundo externo, todo mundo se comunicou com a ajuda da internet. Contudo, embora as trocas e diálogos continuassem acontecendo, a ligação entre as pessoas ainda soava mais fria e distante em relação às conexões presenciais. Isso, é claro, também se refletiu no ambiente de trabalho.
Por conta das circunstâncias, não houve uma etapa de transição para que os colaboradores se adaptassem. De uma hora para a outra, todos só se viram imersos em uma dinâmica de trabalho totalmente nova, construindo uma relação virtual o bastante para ser quase etérea com colegas e clientes, e o pior: sem um prazo definido para que a vida voltasse a caminhar em um ritmo semelhante ao “normal”.
Como se não bastassem todas essas questões, que geram uma ansiedade natural, ainda há outro fator a ser adicionado nesse conflito já tão complexo: a conturbação entre o local de trabalho e o ambiente doméstico.
No home office, o funcionário não dispõe mais do período transitório do trajeto para chegar ao escritório. Se por um lado, as horas a menos no trânsito contribuem para a qualidade de vida (e, consequentemente, para o rendimento nas atividades laborais), por outro, não há mais a quebra entre a frequência da vida particular e a dos compromissos do trabalho. O cérebro passa a agir como um rádio que opera sempre na mesma estação, mesclando assuntos – e emoções – de partes distintas da sua vida num mesmo momento.
Esse processo se intensifica com os outros moradores da residência também confinados em casa pela maior parte do horário comercial. A dificuldade se apresenta em uma dimensão ainda maior para mães e pais de crianças pequenas, que ainda precisam dividir sua concentração com as demandas dos filhos, também afastados da escola.
Lembre-se: a vida mudou, mas o ser humano continua o mesmo – com todas as suas complexidades e necessidades.

Home office e gestão emocional de pessoas

Ao gestor, fica o desafio duplo: o de também compartilhar da mesma incerteza em relação aos próximos capítulos da pandemia e da crise econômica, enquanto proporciona alguma segurança e tranquilidade para sua equipe nesse momento que exige calma e capacidade de adaptação.
Diante da dúvida sobre o futuro em um contexto tão específico, o que fortalece a comunicação, o senso de pertencimento e a harmonia dentro da empresa é adotar uma política de transparência, clareza e aproximação para se dirigir aos colaboradores.
O momento pede, mais do que nunca, que a gestão de pessoas passe por um exercício de empatia e sinceridade. Esse é o caminho tanto para questões operacionais pontuais (como, por exemplo, o volume de trabalho que será cobrado de um funcionário nesse período em que ele irá cumprir seus compromissos diretamente de casa) quanto para temas mais abrangentes, embora delicados – como eventuais cortes de pessoal na pandemia.
Ter uma cultura organizacional pautada na transparência é questão de estruturação e amor. Esses dois pilares são essenciais.
O amor, porque implica, em sua própria natureza, pelo respeito mútuo. Esse valor, por sua vez, é o que faz com que seus colaboradores abracem e defendam a empresa.
E a estruturação por um motivo muito simples: é ela quem garante a sobrevivência do seu negócio em períodos de crise.

Home Office no pós-pandemia

Parte significativa da diretriz de ser próxima, empática e transparente neste momento passa pelo pensar sobre o que vai acontecer quando o distanciamento social não for mais necessário.
Estruturar e propor um plano de retorno que seja oposto à quebra traumática de rotina a que sua equipe foi exposta nos primeiros meses de 2020 – ainda que não exista uma data certa para a implantação – é uma forma efetiva de tranquilizar o time sobre a transição.
O Banco do Brasil, por exemplo, anunciou, em junho, sua intenção de manter cerca de 10 mil colaboradores vinculados a setores administrativos em jornadas remotas na vida pós-pandemia. Para muitas empresas, esse será o tal novo normal.
Vale refletir sobre possibilidades como um regime de escritório rotativo, com escalas presenciais de duas ou três vezes na semana, e discutir isso diretamente com a equipe.

Se tornando porto seguro em meio a insegurança

De acordo com um levantamento feito em julho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 950 mil empresas brasileiras precisaram reduzir seus quadros de funcionários em decorrência da pandemia. Infelizmente, é possível – e provável – que esse número aumente até o final da crise.
Quando os funcionários estão trabalhando com medo de uma realidade tão próxima e concreta, abraçar a cultura organizacional da transparência parece uma medida particularmente difícil. Afinal, parece complicado oferecer garantias sinceras em meio ao imprevisível.
É claro que não há receita de bolo, nem processo indolor, em um panorama como esse. Contudo, de modo geral, a palavra-chave nesse caso é uma só: cuidado.

A gestão do cuidado com as pessoas

Mais uma vez, as exigências de pandemia colocam o gestor diante de um embate que parece paradoxal: como cuidar das pessoas sabendo que, inevitavelmente, será preciso demitir?
Afinal, quando falamos sobre cuidar de um colaborador vinculado ao quadro funcional, é relativamente fácil saber no que pensar: bem-estar físico e psicológico, segurança, conforto, perspectiva de planejamento de carreira, e por aí vai. Mas o que é cuidar num contexto de desligamento em massa? Os conceitos “cuidado” e “desligamento” soam até antagônicos.
É aí que entra a importância da comunicação. Ficar em silêncio, sem colocar as cartas na mesa sobre possíveis demissões, apenas intensifica a aura de pavor e ansiedade. Esse cenário, por sua vez, derruba a produtividade e o desempenho geral, criando um círculo vicioso da crise.
Se for necessário enxugar os gastos com recursos humanos, é preciso ser responsável, objetivo, direto, e, ao mesmo tempo, ter muito tato e responsabilidade com a pessoa que está deixando a empresa.
Uma pessoa que é dispensada com cuidado e amor sai falando bem da sua empresa, sem grandes conflitos, e carrega consigo a certeza de que o processo de demissão foi uma consequência circunstancial. Essa postura impacta diretamente os funcionários que ficam, deixando-os mais tranquilos.
Também é essencial conversar com quem irá continuar integrando sua equipe, abordando as perspectivas para o curto prazo. Será preciso continuar demitindo, a princípio? Qual é a real situação? Enquanto gestor, neste momento, é preciso ter jogo de cintura para oferecer a verdade ao mesmo tempo em que incentiva o pessoal a tocar o barco, focar nas tarefas do dia a dia e trabalhar duro, olhando sempre para a semana seguinte e enfrentando um dia de cada vez.
Uma lição valiosa para esse momento tão delicado: transparência também é cuidado.

E aqui entra um dos seus pilares: os valores

Não há dúvidas, é claro, de que todo esse processo de gestão emocional é muito menos turbulento para empresas que já tinham uma cultura mais forte e compartilhada antes de janeiro de 2020. Para esses empreendimentos, parte do trabalho de cuidado e acolhimento já era uma dinâmica rotineira no cotidiano.
Para quem ainda não observava a organização de seu negócio por essa ótica, a reflexão sobre a importância de valorizar uma perspectiva mais afetiva sobre a coletividade deve ser uma das grandes lições do ano.
As consequências socioeconômicas da pandemia acabaram lançando luz em vários cantos velados e aumentaram o contraste sobre as disparidades em como nos relacionamos uns com os outros. Tanto sua equipe quanto seus clientes percebem – e valorizam – quando a solidariedade é uma das bases da empresa.
Uma pergunta para pensar: os valores que estão no papel e expostos no seu site institucional, também existem no dia a dia da companhia?

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