China X Índia: analogias e conflitos

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China e Índia são duas nações complexas, antigas, extremamente populosas e que estão tendo um crescimento econômico exponencial nos últimos 20 anos. O que estes dois países têm em comum, o que tem de conflitante, quais oportunidades oferecem aos empresários e quais as ameaças para os investidores internacionais?

O empresário e engenheiro sino-brasileiro John Lin e o jornalista indiano Shobhan Saxena conversou conosco sobre os prognósticos dos dois países. Lin é CCO da Citrosuco, enquanto Saxena é presidente da Associação Indiana do Brasil.

Índia: crescimento ambicioso até 2030

A Índia é uma civilização milenar, berço de muitos dos principais eventos da história mundial. Boa parte destes eventos está relacionado às relações comerciais que os povos indianos têm desenvolvido com outras nações do mundo ao longo dos séculos. Porém, tal crescimento cessou com a colonização britânica, que durou 89 anos.
Independente desde 1947, a Índia passou por severas décadas de pobreza até atingir o maior patamar de crescimento do PIB desde 2015. Para Shobhan Saxena, alguns fatores explicam o crescimento do país e por que os prognósticos para este povo são tão otimistas nos próximos anos.
Um ponto principal é a democracia liberal que a Índia tem adotado desde a segunda metade do Século XX. A maior democracia do mundo tem cerca de 900 milhões de eleitores, com uma taxa de comparecimento às urnas superior a 60%, mesmo sem o voto ser obrigatório. O clima político relativamente estável ajuda o país a crescer de forma mais eficiente.
Apesar de ser uma teia de centenas de culturas e mais de mil idiomas, a Índia aposta na “unidade a partir da diversidade”, o que cria uma cultura de país coletivista, onde os diferentes cidadãos apostam em um grande projeto de país para o futuro, mesmo com as diferenças étnicas, religiosas, sociais, econômicas e políticas.
Tratando de dinheiro, é um país no qual muita gente emergiu da pobreza e da pobreza extrema. Hoje, a classe média indiana é formada por mais de 300 milhões de pessoas, o que significa um mercado consumidor extremamente aquecido e com grandes possibilidades de negócio.
Com um PIB que gira hoje em torno de USD 2,7 trilhões, a Índia tem projetos ambiciosos para expandir a sua economia e promover ganho de qualidade de vida para a população. O chamado projeto Modi 2.0 pretende elevar o PIB do país para USD 10 trilhões até 2030, o que irá exigir que o país cresça sua geração de renda em 12% ao ano até lá.
Mas como eles pretendem atingir um resultado tão expressivo em tão pouco tempo? Na verdade, a Índia já tem colocado gradativamente estes projetos em expansão. Apesar da sua população ser majoritariamente agrícola, a maioria do PIB vem dos serviços. Por isso, afirma Saxena, a Índia já pode ser considerada um dos principais service centers do mundo.
Isso atende a uma das metas indianas, que é o aumento da renda per capita. Além disso, o país pretende expandir sobremaneira a sua infraestrutura, tanto de produção, como de transporte, escoamento e outros setores. O que permitirá, entre outras coisas, que a Índia se torne um país exportador, para além do atendimento à demanda interna.
Em uma guinada tecnológica, a Índia também apresenta grande concentração de startups e empresas que já tem operação transnacional, chegando inclusive ao Brasil. Como os países têm relativamente poucas relações comerciais (em comparação com EUA e China, por exemplo), os investidores brasileiros podem encontrar um bom gap na civilização indiana.
Os principais obstáculos que se apresentam hoje ao crescimento da índia são:

  • Pandemia Covid-19;
  • Guerra comercial China-EUA ;
  • Tensões e possibilidades de conflito bélico com o Paquistão.

China: como escalar em direção ao topo do mundo sem colonizar outros países

A China, tal qual a Índia, tem uma civilização com mais de 4 mil anos de História. A História ensina e, para John Lin, a China foi um país que aprendeu muito com seus erros e acertos, tanto da época das dinastias, como da colonização inglesa e do seguinte período maoísta, até que chegamos hoje ao país com o segundo maior PIB do mundo (USD 13 trilhões).
Aqui, o aspecto cultural novamente teve papel fundamental. Um país extremamente coletivista, a China buscou absorver o que havia de melhor em cada um dos sistemas políticos pelos quais passou ao longo da História. Desta forma, criou um sistema político único e que só pode ser aplicado naquele país: O Partido Comunista Chinês (CCP) representa o governo central, mas sua função é apenas oferecer diretrizes, enquanto quem executa – tanto o orçamento, como as ações políticas – são os governos regionais.
John Lin, inclusive, acredita que o uso do termo “Comunista” já não serve mais para descrever o que faz o CCP, defendendo uma terminologia como Partido Confucionista Chinês, a fim de evidenciar como o modelo de governo foi adaptado especialmente para ser aplicado às dificuldades e potencialidades do país, o que poderia, inclusive, trazer uma perspectiva mais amigável por parte tanto da imprensa, como de investidores internacionais.
Sem dúvida, o crescimento da China é um fenômeno ímpar na história do mundo. Alguns dados exemplificam esta expansão: a quantidade de highways (rodovias com pelo menos duas faixas em cada sentido) na China foi de 2.000 km em 1996 para 136.000 em 2017: mais de USD 300 bilhões em investimentos.
Taxado de “autoritário” pelo resto do mundo, o governo chinês é muito respeitado pela população, com sua missão principal de prover ao povo chines crescimento, progresso e desenvolvimento de maneira harmoniosa.
Após maciços investimentos em infraestrutura e em capacidade produtiva que transformaram a China na “Fábrica do mundo”, o modelo apresentou algum desgaste, o que fez a China planejar os próximos passos para a perpetuação deste crescimento, baseado na liderança científica, divididos em quatro grandes eixos: Biotecnologia, Computação Quântica, Exploração Espacial e Inteligência Artificial.
Um dos pontos responsáveis por fazer da China a potência que ela se tornou hoje está na valorização de uma meritocracia produtiva em todas as esferas da sociedade, desde a atuação política até a produção industrial. Por exemplo: se uma empresa chinesa adquire grandes lucros com a fabricação de um produto, elevando preços, o governo investe na concorrência para que os preços se mantenham regulados. Isso criou um ambiente de plena concorrência entre várias estatais e outras empresas do setor privado. Quem ganha é o consumidor.
Por anos, a China foi um dos principais poluentes do mundo, com níveis altíssimos de emissões de gases tóxicos. Com uma economia consolidada e em modernização, o governo começou a “limpar” o país, investindo em matrizes renováveis e eliminando gradualmente a emissão de gases com iniciativa estatal e parcerias com o setor privado.
Essas são algumas mostras que um dos principais trunfos dos chineses é o estabelecimento de prioridades e a capacidade de aprender com erros. A partir de escolhas assertivas, o país tem conseguido crescer mesmo durante a pandemia, utilizando todo o potencial de um governo central forte para manter o país nos trilhos do crescimento.

China e Índia: semelhanças e diferenças

Por milênios, o eixo da economia global esteve na Ásia, entre as civilizações indianas, chinesas e outros povos dos arredores. Hoje, o polo parece retornar à região. Com povos milenares e muito populosos, ambos os países têm uma vantagem demográfica que já está se dissipando na Europa e nas Américas.
Ambos são países com grande potencial de crescimento econômico, e devem assumir a ponta do ranking do PIB mundial por volta de 2050. São dois países com uma política relativamente estável, e com um projeto bastante claro de país que não deve ser afetado por instabilidades temporárias eleitorais (na Índia) ou partidárias (na China).
Isso não quer dizer que a relação entre os dois países seja totalmente pacífica. Com uma fronteira de mais de 4 mil km, China e Índia passaram por recentes tensões militares, em que as forças armadas dos dois países realizaram exercícios e demonstrações próximas à fronteira.
Contudo, tanto Saxena como Lin destacam que são civilizações antigas e amadurecidas que, apesar de não terem a pretensão de formar uma aliança bélico-militar ou até mesmo de livre comércio, têm toda a intenção de permanecerem como bons vizinhos por muito tempo. Especialmente porque, hoje, qualquer conflito bélico na Ásia representa uma vantagem comercial aos Estados Unidos, e nenhum dos dois países têm interesse que isso aconteça.
Investidores brasileiros podem encontrar boas oportunidades na Índia e na China. Como países em crescimento, estes mercados emergentes têm realizado severos investimentos próprios, mas também recebem com muitas boas-vindas os recursos de investimentos externos. Especialmente na área da tecnologia e da infraestrutura, os empreendimentos destes países têm obtido resultados invejáveis.
Convém ao Brasil manter boa relação diplomática e comercial tanto com a Índia, como com a China (que já é nosso maior parceiro comercial) através dos Brics, para que estes investimentos tanto de brasileiros nos asiáticos, como vice-versa, possam ser feitos de maneira mais pacífica, menos onerosa e com menos riscos.

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